Texto - Nivelamento 3º Ano
- 17 de fev. de 2020
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O que é Sociologia?
A Sociologia não pretende ser um método para nos ensinar a conviver com os outros. Ela é uma ciência que busca descobrir como e por que convivemos, desvendando questões que envolvem o nosso cotidiano. Por meio da Sociologia, obtemos conhecimento científico sobre a realidade social.
Ao estudar essa disciplina, procura-se entender os elementos essenciais do funcionamento de uma sociedade e encontrar respostas para questões como:
“por que existem tantas desigualdades no mundo?”;
“por que as pessoas se relacionam umas com as outras de determinada maneira?”;
“por que existem a política e as relações de poder?”;
“por que existe racismo?”.
A Sociologia ajuda a pensar de modo independente e a ser crítico ao analisar conteúdos da internet e dos jornais, entrevistas com autoridades e o mundo que nos cerca. Essa visão crítica pode incomodar, pois revela aspectos da sociedade que certos indivíduos ou grupos preferem esconder.
História da Sociologia
Embora o surgimento da Sociologia tenha ocorrido no século XIX, somente a partir dos problemas sociais causados pela Revolução Industrial, a Sociologia ganhou espaço e surgiu como uma ciência voltada para pensar as relações sociais.
Hoje, os sociólogos estão presentes não só nas universidades, mas também nos meios de comunicação, discutindo questões específicas ou gerais que envolvem a vida em sociedade. Os mais destacados ministram cursos e conferências em centros universitários de todo o mundo e têm seus livros publicados em vários idiomas.
Quem inventou a Sociologia
Como surgiu a Sociologia? Ela foi criada pelo filósofo e matemático francês Auguste Comte (1798 – 1857) ao tentar unificar todos os estudos relacionados às ciências humanas (História, Antropologia, Economia, Ciência Política etc.) em uma só.
Comte tentava se distanciar das ideias metafísicas e religiosas para explicar as relações humanas. A linha de pensamento surgida nesse momento foi chamada de positivismo, e defendia que somente através da ciência seria possível chegar ao conhecimento verdadeiro.
Qual o objetivo da Sociologia?
O objetivo da Sociologia é investigar aquilo que somos, fazemos e pensamos. Ela nos ajuda a compreender aquilo que gera as vontades humanas, o que nos move a fazer escolhas e, principalmente, aquilo que é imperceptível para nós.
Como já vimos, não se trata de uma ciência que nos dirá o que fazer para vivermos em harmonia, mas sim de nos dar pistas sobre como devemos fazer para termos um futuro com menos conflitos.
Principais sociólogos
Desde a ideia de Auguste Comte de criar uma ciência para compreender os fenômenos da vida humana em sociedade, vários pensadores dedicaram-se a pesquisas e publicações de livros importantes.
Vamos conhecer um pouco sobre os principais sociólogos do mundo.
Auguste Comte
Como já vimos, Augusto Comte foi o fundador da Sociologia e do positivismo. Nasceu na França, em Montpellier, em 1798. Foi professor, filósofo e matemático.
Ele acreditava que o bom funcionamento social deveria obedecer a caminhos pré-determinados para promover bem-estar ao máximo de indivíduos possíveis.
Para isso, Comte estabeleceu uma lei de três estágios sobre o pensamento humano: o primeiro é o estágio teológico, quando o homem recorria à religião e aos deuses para explicar os fenômenos da natureza; o segundo passa pela explicação através da metafísica, conhecida por organizar os conhecimentos em abstrações; por fim, no qual a humanidade alcançaria sua plenitude, está o estágio positivo, em que a razão e a experiência concreta estão no centro.
Karl Marx - Karl Marx nasceu em 1818, na Alemanha, e foi um importante pensador revolucionário. Criou o comunismo moderno e atuou como professor, economista, filósofo, sociólogo e jornalista.
Marx foi um crítico profundo dos problemas sociais surgidos pelo desenvolvimento do capitalismo durante a Revolução Industrial. Para ele, somente a luta de classes seria possível para o progresso da humanidade.
Seu pensamento influenciou diversas áreas, como Geografia, Direito, História, Filosofia e Pedagogia. Foi autor de livros importantes, como O Capital (1867) e Manifesto do Partido Comunista (1848), escrito em parceria com o filósofo Friedrich Engels.
Émile Durkheim - Émile Durkheim nasceu 1858, em Paris, capital francesa. Foi sociólogo, psicólogo social, cientista político e filósofo. Juntamente com Marx e Weber, foi reconhecido como fundador da ciência social moderna.
Além disso, foi criador de conceitos importantes para o desenvolvimento da Sociologia. Para ele, a sociedade não é apenas um grupo de pessoas que vive em um mesmo lugar. Sociedade é o conjunto de crenças, ideias, vontades e sentimentos que são compartilhados entre os indivíduos.
Escreveu obras como Da divisão do trabalho social (1893), As regras do método sociológico (1895), O suicídio (1897) e A educação moral (1925).
Max Weber - Max Weber nasceu na Alemanha, em 1864. Foi jurista, economista e sociólogo. Juntamente com Marx e Durkheim, é considerado um intelectual que deu grandes contribuições para o surgimento da Sociologia enquanto disciplina acadêmica.
Weber trabalhou temas como economia, política e religião. Investigou, em sua obra principal, A ética protestante e o espírito capitalista (1905), a influência do protestantismo no desenvolvimento do capitalismo. Chegou à conclusão de que os fundamentos dessa corrente religiosa, pautados na dedicação ao trabalho e na aceitação da acumulação de riquezas, favoreceram o desenvolvimento do capitalismo.
Escreveu Economia e sociedade (1922), A política como vocação (1919), Sociologia da religião (1920), A ciência como vocação (1919), Metodologia das Ciências Sociais (1949), entre outras obras.
Sociologia no Brasil
No Brasil, a Sociologia começou a se desenvolver a partir das décadas de 1920 e 1930. Estudiosos como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior buscaram entender como a sociedade brasileira havia sido formada até aquele momento. Eles se debruçaram sobre assuntos como colonização portuguesa, escravidão e cultura indígena, entre outros temas.
Anos mais tarde, na década de 1940, o trabalho de Florestan Fernandes demonstrava as mudanças sociais na cidade de São Paulo. Para isso, ele pesquisou o folclore paulistano e as brincadeiras das crianças no bairro do Bom Retiro e o resultado deu origem ao livro Folclore e mudança social na cidade de São Paulo.
Acompanhe alguns dos principais sociólogos brasileiros.
Paulo Freire / Paulo Freire foi um pedagogo e filósofo brasileiro, nascido em Recife, Pernambuco, em 1921. É considerado o patrono da educação brasileira e deu contribuições importantes para a pedagogia.
Freire criou um pensamento pedagógico de caráter político. O maior objetivo da educação deveria ser desenvolver alunos autônomos capazes de ter a sua própria consciência. Fazia duras críticas às desigualdades sociais e fortaleceu a sociologia da educação.
Foi autor de livros como Pedagogia do oprimido (1968), Pedagogia da autonomia (1996), Política e educação (1985), Pedagogia da esperança (1992), Educação para consciência crítica (1973), entre outros.
Gilberto Freyre / Gilberto Freyre também nasceu em Recife, Pernambuco, no ano de 1900. Foi diplomata brasileiro, escritor, historiador e sociólogo.
Dedicou parte de sua vida a entender a formação social do Brasil e afrontou as doutrinas de branqueamento. Mostrou que a condição racial e o clima não influenciaram a formação social do país. Foi um dos primeiros pensadores a debater sobre a democracia racial.
Entre suas obras estão Casa-grande e senzala (1933), Sobrados e mocambos (1936), Interpretação do Brasil (1945), Vida social no Brasil (1964) e Ordem e progresso (1970).
Sérgio Buarque de Holanda - Sérgio Buarque de Holanda nasceu em São Paulo, em 1902. Foi crítico literário, historiador, jornalista e ativista político.
Em seu livro principal, Raízes do Brasil (1936), Holanda buscou na história do País as raízes dos problemas sociais. Descreveu o homem brasileiro como cordial, ou seja, que age com sentimentos e não com a razão. O pensador foi em busca da essência do brasileiro.
Ele escreveu também: Visão do paraíso (1959), Caminhos e fronteiras (1957), O homem cordial (1945), Monções (1945), O espírito e a letra (1920), entre outros.




































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